Sonho. Não Sei quem SouSonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.
Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.
Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Teus Olhos Entristecem
Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.
Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.
Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.
Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.
Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Não me ouves, e prossigo.
Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.
Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.
Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.
Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Como Te Amo
Como te amo?
Não sei de quantos modos vários
Eu te adoro, mulher de olhos azuis e castos;
Amo-te com o fervor dos meus sentidos gastos;
Amo-te com o fervor dos meus preitos diários.
É puro o meu amor, como os puros sacrários;
É nobre o meu amor, como os mais nobres fastos;
É grande como os mares altisonos e vastos;
É suave como o odor de lírios solitários.
Amor que rompe enfim os laços crus do Ser;
Um tão singelo amor, que aumenta na ventura;
Um amor tão leal que aumenta no sofrer;
Amor de tal feição que se na vida escura
É tão grande e nas mais vis ânsias do viver,
Muito maior será na paz da sepultura!
Fernando Pessoa, "Inéditos – Poemas de Lança-Pessoa – Manuscrito (Junho/1902)"
Eu te adoro, mulher de olhos azuis e castos;
Amo-te com o fervor dos meus sentidos gastos;
Amo-te com o fervor dos meus preitos diários.
É puro o meu amor, como os puros sacrários;
É nobre o meu amor, como os mais nobres fastos;
É grande como os mares altisonos e vastos;
É suave como o odor de lírios solitários.
Amor que rompe enfim os laços crus do Ser;
Um tão singelo amor, que aumenta na ventura;
Um amor tão leal que aumenta no sofrer;
Amor de tal feição que se na vida escura
É tão grande e nas mais vis ânsias do viver,
Muito maior será na paz da sepultura!
Fernando Pessoa, "Inéditos – Poemas de Lança-Pessoa – Manuscrito (Junho/1902)"
A transformação da fé-esperança no tempo moderno
Como pôde desenvolver-se a ideia de que a mensagem de Jesus é
estritamente individualista e visa apenas o indivíduo? Como é que se chegou a
interpretar a salvação da alma como fuga
da responsabilidade geral e, consequentemente, a considerar o programa do
cristianismo como busca egoísta da salvação que se recusa a servir os outros?
Para encontrar uma resposta à questão, devemos lançar um olhar sobre as
componentes fundamentais do tempo moderno. Estas aparecem, com particular
clareza, em Francisco Bacon. Que uma nova época tenha surgido graças à
descoberta da América e às novas conquistas técnicas que permitiram este
desenvolvimento é um dado fora de discussão. Mas, sobre o que é que se baseia
esta mudança epocal? É a nova correlação de experiência e método que coloca o
homem em condições de chegar a uma interpretação da natureza conforme às suas
leis e, deste modo, conseguir finalmente a vitória da arte sobre a natureza (victoria
cursus artis super naturam).A novidade conforme a visão de Bacon está numa
nova correlação entre ciência e prática. Isto foi depois aplicado também
teologicamente: esta nova correlação entre ciência e prática significaria que o
domínio sobre a criação, dado ao homem por Deus e perdido no pecado original,
ficaria restabelecido. Quem lê estas afirmações e nelas reflecte com atenção,
reconhece uma transição desconcertante: até então a recuperação daquilo que o
homem, expulso do paraíso terrestre, tinha perdido esperava-se da fé em Jesus
Cristo, e nisto se via a redenção. Agora, esta redenção, a restauração do paraíso
perdido, já não se espera da fé, mas da ligação recém-descoberta entre ciência
e prática. Com isto, não é que se negue simplesmente a fé; mas, esta acaba
deslocada para outro nível o das coisas somente privadas e ultraterrestres e,
simultaneamente, torna-se de algum modo irrelevante para o mundo. Esta visão
programática determinou o caminho dos tempos modernos, e influencia inclusive a
actual crise da fé que, concretamente, é sobretudo uma crise da esperança
cristã. Assim também a esperança, segundo Bacon, ganha uma nova forma. Agora
chama-se fé no progresso. Com efeito, para Bacon, resulta claro que os
descobrimentos e as recentes invenções são apenas um começo e que, graças à
sinergia entre ciência e prática, seguir-se-ão descobertas completamente novas,
surgirá um mundo totalmente novo, o reino do homem. Nesta linha, apresentou um panorama
das invenções previsíveis, chegando ao avião e ao submarino. Ao longo do sucessivo
desenvolvimento da ideologia do progresso, a alegria pelos avanços palpáveis
das potencialidades humanas permanece uma confirmação constante da fé no
progresso enquanto tal.
Simultaneamente, há duas
categorias que penetram sempre mais no centro da ideia de progresso: razão e
liberdade. Aquele é sobretudo um progresso no crescente domínio da razão, sendo
esta considerada obviamente um poder do bem e para o bem. O progresso é a
superação de todas as dependências; é avanço para a liberdade perfeita. Também
a liberdade é vista só como promessa, na qual o homem se realiza rumo à
plenitude. Em ambos os conceitos liberdade e razão está presente um aspecto
político. O reino da razão, de facto, é aguardado como a nova condição da
humanidade feita totalmente livre. Todavia, as condições políticas deste reino
da razão e da liberdade aparecem, à primeira vista, pouco definidas. Razão e
liberdade parecem garantir por si mesmas, em virtude da sua intrínseca bondade,
uma nova comunidade humana perfeita. Nos dois conceitos-chave de razão e
liberdade, tacitamente o pensamento coloca-se sempre em contraste com os
vínculos da fé e da Igreja, como também com os vínculos dos ordenamentos
estatais de então. Por isso, ambos os conceitos trazem em si um potencial
revolucionário de enorme força explosiva. Temos de lançar brevemente um olhar
sobre duas etapas essenciais da concretização política desta esperança, porque
são de grande importância para o caminho da esperança cristã, para a sua
compreensão e persistência. Há, antes de mais nada, a Revolução francesa como
tentativa de instaurar o domínio da razão e da liberdade agora também de modo
politicamente real. Inicialmente, a Europa do Iluminismo contemplou fascinada
estes acontecimentos, mas depois, à vista da sua evolução, teve de reflectir de
modo novo sobre razão e liberdade. Significativos destas duas fases de recepção
do que acontecera em França são dois escritos de Emanuel Kant, nos quais ele
reflecte sobre os acontecimentos. Em 1792, escreve a obra Der Sieg des guten
Prinzips über das böse und die Gründung eines Reichs Gottes auf Erden (A vitória do princípio bom sobre o
princípio mau e a constituição de um reino de Deus sobre a terra). Nela afirma:
A passagem gradual da fé eclesiástica ao domínio exclusivo da pura fé religiosa
constitui a aproximação do reino de Deus. Diz também que as revoluções podem
apressar os tempos desta passagem da fé eclesiástica à fé racional. O reino de
Deus, de que falara Jesus, recebeu aqui uma nova definição e assumiu também uma
nova presença; existe, por assim dizer, uma nova expectativa imediata : o reino
de Deus chega onde a fé eclesiástica é superada e substituída pela fé religiosa,
ou seja, pela mera fé racional. Em 1794, no livro Das Ende aller Dinge
(O fim de todas as coisas), aparece uma imagem diferente. Agora, Kant toma em
consideração a possibilidade de que, a par do fim natural de todas as coisas,
se verifique também um fim contrário à natureza, perverso. Escreve a tal
respeito: Se acontecesse um dia chegar o cristianismo a não ser mais digno de
amor, então o pensamento dominante dos homens deveria tomar a forma de rejeição
e de oposição contra ele; e o anticristo [...] inauguraria o seu regime, mesmo
que breve, (baseado presumivelmente sobre o medo e o egoísmo). Em seguida,
porém, visto que o cristianismo, embora destinado a ser a religião universal,
de facto não teria sido ajudado pelo destino a sê-lo, poderia verificar-se, sob
o aspecto moral, o fim (perverso) de todas as coisas.O século XIX não perdeu a
sua fé no progresso como nova forma da esperança humana e continuou a
considerar razão e liberdade como as estrelas-guia a seguir no caminho da
esperança. Todavia a evolução sempre mais rápida do progresso técnico e a
industrialização com ele relacionada criaram, bem depressa, uma situação social
completamente nova: formou-se a classe dos trabalhadores da indústria e o chamado
proletariado industrial, cujas terríveis condições de vida foram ilustradas de
modo impressionante por Frederico Engels, em 1845. Ao leitor, devia resultar
claro que isto não pode continuar; é necessária uma mudança. Mas a mudança
haveria de abalar e derrubar toda a estrutura da sociedade burguesa. Depois da
revolução burguesa de 1789, tinha chegado a hora para uma nova revolução: a
proletária. O progresso não podia limitar-se a avançar de forma linear e com
pequenos passos. Urgia o salto revolucionário. Karl Marx recolheu este apelo do
momento e, com vigor de linguagem e de pensamento, procurou iniciar este novo
passo grande e, como supunha, definitivo da história rumo à salvação, rumo
àquilo que Kant tinha qualificado como o reino de Deus. Tendo-se diluída a
verdade do além, tratar-se-ia agora de estabelecer a verdade de aquém. A
crítica do céu transforma-se na crítica da terra, a crítica da teologia na
crítica da política. O progresso rumo ao melhor, rumo ao mundo definitivamente
bom, já não vem simplesmente da ciência, mas da política de uma política pensada
cientificamente, que sabe reconhecer a estrutura da história e da sociedade,
indicando assim a estrada da revolução, da mudança de todas as coisas. Com
pontual precisão, embora de forma unilateralmente parcial, Marx descreveu a
situação do seu tempo e ilustrou, com grande capacidade analítica, as vias para
a revolução. E não só teoricamente, pois com o partido comunista, nascido do
manifesto comunista de 1848, também a iniciou concretamente. A sua promessa,
graças à agudeza das análises e à clara indicação dos instrumentos para a
mudança radical, fascinou e não cessa de fascinar ainda hoje. E a revolução
deu-se, depois, na forma mais radical na Rússia. Com a sua vitória, porém,
tornou-se evidente também o erro fundamental de Marx. Ele indicou com exactidão
o modo como realizar o derrubamento. Mas, não nos disse, como as coisas
deveriam proceder depois. Ele supunha simplesmente que, com a expropriação da
classe dominante, a queda do poder político e a socialização dos meios de
produção, ter-se-ia realizado a Nova Jerusalém. Com efeito, então ficariam
anuladas todas as contradições; o homem e o mundo haveriam finalmente de ver
claro em si próprios. Então tudo poderia proceder espontaneamente pelo recto
caminho, porque tudo pertenceria a todos e todos haviam de querer o melhor um
para o outro. Assim, depois de cumprida a revolução, Lenin deu-se conta de que,
nos escritos do mestre, não se achava qualquer indicação sobre o modo como
proceder. É verdade que ele tinha falado da fase intermédia da ditadura do
proletariado como de uma necessidade que, porém, num segundo momento ela mesma
se demonstraria caduca. Esta « fase intermédia » conhecemo-la muito bem e
sabemos também como depois evoluiu, não dando à luz o mundo sadio, mas deixando
atrás de si uma destruição desoladora. Marx não falhou só ao deixar de
idealizar os ordenamentos necessários para o mundo novo; com efeito, já não
deveria haver mais necessidade deles. O facto de não dizer nada sobre isso é
lógica consequência da sua perspectiva. O seu erro situa-se numa profundidade
maior. Ele esqueceu que o homem permanece sempre homem. Esqueceu o homem e a
sua liberdade. Esqueceu que a liberdade permanece sempre liberdade, inclusive
para o mal. Pensava que, uma vez colocada em ordem a economia, tudo se arranjaria.
O seu verdadeiro erro é o materialismo: de facto, o homem não é só o produto de
condições económicas nem se pode curá-lo apenas do exterior criando condições
económicas favoráveis. Encontramo-nos assim novamente diante da questão: o que
é que podemos esperar? É necessária uma autocrítica da idade moderna feita em
diálogo com o cristianismo e com a sua concepção da esperança. Neste diálogo,
também os cristãos devem aprender de novo, no contexto dos seus conhecimentos e
experiências, em que consiste verdadeiramente a sua esperança, o que é que
temos para oferecer ao mundo e, ao contrário, o que é que não podemos oferecer.
É preciso que, na autocrítica da idade moderna, conflua também uma autocrítica
do cristianismo moderno, que deve aprender sempre de novo a compreender-se a si
mesmo a partir das próprias raízes. A este respeito, pode-se aqui mencionar
somente alguns indícios. Antes de mais, devemos perguntar-nos: o que é que significa
verdadeiramente progresso; o que é que ele promete e o que é que não promete?
No século XIX, já existia uma crítica à fé no progresso. No século XX, Teodoro
W. Adorno formulou, de modo drástico, a problematicidade da fé no progresso:
este, visto de perto, seria o progresso da funda à megabomba. Certamente, este é
um lado do progresso que não se deve encobrir. Dito de outro modo: torna-se
evidente a ambiguidade do progresso. Não há dúvida que este oferece novas
potencialidades para o bem, mas abre também possibilidades abissais de mal possibilidades
que antes não existiam. Todos fomos testemunhas de como o progresso em mãos
erradas possa tornar-se, e tornou-se realmente, um progresso terrível no mal.
Se ao progresso técnico não corresponde um progresso na formação ética do
homem, no crescimento do homem interior (cf. Ef 3,16; 2 Cor 4,16), então aquele não é um
progresso, mas uma ameaça para o homem e para o mundo. No que diz respeito aos
dois grandes temas razão e liberdade, aqui é possível apenas acenar às questões
relacionadas com eles. Sem dúvida, a razão é o grande dom de Deus ao homem, e a
vitória da razão sobre a irracionalidade é também um objectivo da fé cristã.
Mas, quando é que a razão domina verdadeiramente? Quando se separou de Deus?
Quando ficou cega a Deus? A razão inteira reduz-se à razão do poder e do fazer?
Se o progresso, para ser digno deste nome necessita do crescimento moral da
humanidade, então a razão do poder e do fazer deve de igual modo urgentemente
ser integrada mediante a abertura da razão às forças salvíficas da fé, ao
discernimento entre o bem e o mal. Somente assim é que se torna uma razão
verdadeiramente humana. Torna-se humana apenas se for capaz de indicar o
caminho à vontade, e só é capaz disso se olhar para além de si própria. Caso
contrário, a situação do homem, devido à discrepância entre a capacidade
material e a falta de juízo do coração, torna-se uma ameaça para ele e para a
criação. Por isso, falando de liberdade, é preciso recordar que a liberdade
humana requer sempre um concurso de várias liberdades. Este concurso, porém,
não se pode efectuar se não for determinado por um critério intrínseco comum de
ponderação, que é fundamento e meta da nossa liberdade. Digamos isto de uma
forma mais simples: o homem tem necessidade de Deus; de contrário, fica privado
de esperança. Consideradas as mudanças da era moderna, a afirmação de S. Paulo,
citada ao princípio (Ef 2,12),
revela-se muito realista e inteiramente verdadeira. Portanto, não há dúvida de
que um reino de Deus realizado sem Deus e por conseguinte um reino somente do
homem resolve-se inevitavelmente no fim perverso de todas as coisas, descrito
por Kant: já o vimos e vemo-lo sempre de novo. De igual modo, também não há
dúvida de que, para Deus entrar verdadeiramente nas realidades humanas, não
basta ser pensado por nós, requer-se que Ele mesmo venha ao nosso encontro e
nos fale. Por isso, a razão necessita da fé para chegar a ser totalmente ela
própria: razão e fé precisam uma da outra para realizar a sua verdadeira
natureza e missão.
domingo, 29 de setembro de 2013
sábado, 28 de setembro de 2013
Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.Fernando Pessoa
Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.Fernando Pessoa
Ser feliz é encontrar força no perdão, esperanças nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. É agradecer a Deus a cada minuto pelo milagre da vida.Fernando Pessoa
Para que
quero a Glória Fugitiva?
Já é tempo,
já, que minha confiança
Se desça duma falsa opinião;
Mas Amor não se rege por razão,
Não posso perder, logo, a esperança.
A vida sim, que uma áspera mudança
Não deixa viver tanto um coração.
E eu só na morte tenho a salvação?
Sim, mas quem a deseja não a alcança.
Forçado é logo que eu espere e viva.
Ah dura lei de Amor, que não consente
Quietação num'alma que é cativa!
Se hei-de viver, enfim, forçadamente,
Para que quero a glória fugitiva
Duma esperança vã que me atormente?
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
Se desça duma falsa opinião;
Mas Amor não se rege por razão,
Não posso perder, logo, a esperança.
A vida sim, que uma áspera mudança
Não deixa viver tanto um coração.
E eu só na morte tenho a salvação?
Sim, mas quem a deseja não a alcança.
Forçado é logo que eu espere e viva.
Ah dura lei de Amor, que não consente
Quietação num'alma que é cativa!
Se hei-de viver, enfim, forçadamente,
Para que quero a glória fugitiva
Duma esperança vã que me atormente?
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
A vida eterna
o que é?
Até agora estivemos a falar da fé e da esperança no Novo
Testamento e nos inícios do cristianismo, mas deixando sempre claro que não se
tratava apenas do passado; toda a reflexão feita tem a ver com a vida e a morte
do homem em geral e, portanto, interessa-nos também a nós, aqui e agora. Chegou
o momento, porém, de nos colocarmos explicitamente a questão: para nós, hoje a
fé cristã é também uma esperança que transforma e sustenta a nossa vida? Para
nós aquela é performativa uma mensagem
que plasma de modo novo a mesma vida ou é simplesmente informação que,
entretanto, pusemos de lado porque nos parece superada por informações mais
recentes? Na busca de uma resposta, desejo partir da forma clássica do diálogo,
usado no rito do Baptismo, para exprimir o acolhimento do recém-nascido na
comunidade dos crentes e o seu renascimento em Cristo. O sacerdote perguntava,
antes de mais nada, qual era o nome que os pais tinham escolhido para a
criança, e prosseguia: O que é que pedis à Igreja?. Resposta: A fé. E o que é
que vos dá a fé?. A vida eterna. Como vemos por este diálogo, os pais pediam
para a criança o acesso à fé, a comunhão com os crentes, porque viam na fé a
chave para a vida eterna . Com efeito hoje, como sempre, é disto que se trata
no Baptismo, quando nos tornamos cristãos: é não somente um acto de
socialização no âmbito da comunidade, nem simplesmente de acolhimento na
Igreja. Os pais esperam algo mais para o baptizando: esperam que a fé de que
faz parte a corporeidade da Igreja e dos seus sacramentos – lhe dê a vida, a
vida eterna. Fé é substância da esperança. Aqui, porém, surge a pergunta:
Queremos nós realmente isto: viver eternamente? Hoje, muitas pessoas rejeitam a
fé, talvez simplesmente porque a vida eterna não lhes parece uma coisa
desejável. Não querem de modo algum a vida eterna, mas a presente; antes, a fé
na vida eterna parece, para tal fim, um obstáculo. Continuar a viver
eternamente sem fim parece mais uma condenação do que um dom. Certamente a
morte queria-se adiá-la o mais possível. Mas, viver sempre, sem um termo,
acabaria por ser fastidioso e, em última análise, insuportável. É isto
precisamente que diz, por exemplo, o Padre da Igreja Ambrósio na sua elegia
pelo irmão defunto Sátiro:Sem dúvida, a morte não fazia parte da natureza, mas
tornou-se natural; porque Deus não instituiu a morte ao princípio, mas deu-a
como remédio. Condenada pelo pecado a um trabalho contínuo e a lamentações
insuportáveis, a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve de pôr fim
a estes males, para que a morte restituísse o que a vida tinha perdido. Com
efeito, a imortalidade seria mais penosa que benéfica, se não fosse promovida
pela graça. Antes, Ambrósio tinha
dito: Não devemos chorar a morte, que é a causa de salvação universal .
Independentemente do que Santo Ambrósio quisesse dizer precisamente com estas
palavras, é certo que a eliminação da morte ou mesmo o seu adiamento quase
ilimitado, deixaria a terra e a humanidade numa condição impossível e nem mesmo
prestaria um benefício ao indivíduo. Obviamente há uma contradição na nossa
atitude, que evoca um conflito interior da nossa mesma existência. Por um lado,
não queremos morrer; sobretudo quem nos ama não quer que morramos. Mas, por
outro, também não desejamos continuar a existir ilimitadamente, nem a terra foi
criada com esta perspectiva. Então, o que é que queremos na realidade? Este
paradoxo da nossa própria conduta suscita uma questão mais profunda: o que é,
na verdade, a vida? E o que significa realmente eternidade? Há momentos em que
de repente temos a sua percepção: sim, isto seria precisamente a vida
verdadeira, assim deveria ser. Em comparação, aquilo que no dia-a-dia chamamos vida,
na verdade não o é. Agostinho, na sua extensa carta sobre a oração, dirigida a
Proba uma viúva romana rica e mãe de três cônsules, escreve: no fundo, queremos
uma só coisa, a vida bem-aventurada, a vida que é simplesmente vida, pura felicidade.
No fim de contas, nada mais pedimos na oração. Só para ela caminhamos; só disto
se trata. Porém, depois Agostinho diz também: se considerarmos melhor, no fundo
não sabemos realmente o que desejamos, o que propriamente queremos. Não
conhecemos de modo algum esta realidade; mesmo naqueles momentos em que
pensamos tocá-la, não a alcançamos realmente. Não sabemos o que convém pedir
confessa ele citando São Paulo (Rm 8,26).
Sabemos apenas que não é isto. Porém, no facto de não saber sabemos que esta
realidade deve existir. Há em nós, por assim dizer, uma douta ignorância (docta
ignorantia) escreve ele. Não sabemos realmente o que queremos; não conhecemos
esta vida verdadeira e, no entanto, sabemos que deve existir algo que não
conhecemos e para isso nos sentimos impelidos. Penso que Agostinho descreve
aqui, de modo muito preciso e sempre válido, a situação essencial do homem, uma
situação donde provêm todas as suas contradições e as suas esperanças. De certo
modo, desejamos a própria vida, a vida verdadeira, que depois não seja tocada
sequer pela morte; mas, ao mesmo tempo, não conhecemos aquilo para que nos sentimos
impelidos. Não podemos deixar de tender para isto e, no entanto, sabemos que
tudo quanto podemos experimentar ou realizar não é aquilo por que anelamos.
Esta coisa desconhecida é a verdadeira esperança que nos impele e o facto de
nos ser desconhecida é, ao mesmo tempo, a causa de todas as ansiedades como
também de todos os ímpetos positivos ou destruidores para o mundo autêntico e o
homem verdadeiro. A palavra vida eterna procura dar um nome a esta desconhecida
realidade conhecida. Necessariamente é uma expressão insuficiente, que cria confusão.
Com efeito, “ eterno “ suscita em nós a ideia do interminável, e isto nos
amedronta; ”vida “, faz-nos pensar na existência por nós conhecida, que amamos
e não queremos perder, mas que, frequentemente, nos reserva mais canseiras que
satisfações, de tal maneira que se por um lado a desejamos, por outro não a
queremos. A única possibilidade que temos é procurar sair, com o pensamento, da
temporalidade de que somos prisioneiros e, de alguma forma, conjecturar que a
eternidade não seja uma sucessão contínua de dias do calendário, mas algo
parecido com o instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e
nós abraçamos a totalidade. Seria o instante de mergulhar no oceano do amor
infinito, no qual o tempo o antes e o
depois já não existe. Podemos somente procurar pensar que este instante é a
vida em sentido pleno, um incessante mergulhar na vastidão do ser, ao mesmo
tempo que ficamos simplesmente inundados pela alegria. Assim o exprime Jesus,
no Evangelho de João: “Eu hei-de ver-vos de novo; e o vosso coração
alegrar-se-á e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria “ (16,22). Devemos
olhar neste sentido, se quisermos entender o que visa a esperança cristã, o que
esperamos da fé, do nosso estar com Cristo.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Não Pode Tirar-me as Esperanças
Busque Amor novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Pois não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde;
Vem não sei como; e dói não sei porquê.
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Pois não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde;
Vem não sei como; e dói não sei porquê.
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
Não Pode Tirar-me as Esperanças
Busque Amor novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Pois não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde;
Vem não sei como; e dói não sei porquê.
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Pois não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde;
Vem não sei como; e dói não sei porquê.
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
Esperança
Esperança é
a expectativa e o anseio confiantes pelas bênçãos prometidas aos justos. As
escrituras frequentemente se referem à esperança como a expectativa da vida
eterna pela fé em Jesus Cristo.
Informações
Adicionais
A palavra esperança às vezes é mal compreendida. Em
nossa linguagem do dia-a-dia, a palavra frequentemente denota incerteza.
Podemos, por exemplo, dizer que temos esperança de que o clima mude ou que
recebamos a visita de um amigo. Na linguagem do evangelho, porém, a palavra
esperança é segura, inabalável e ativa. Os profetas falam de uma “firme
esperança” (Alma 34:41) e uma “viva esperança” (I Pedro 1:3). O profeta Morôni
ensinou: “Todos os que crêem em Deus podem, com segurança, esperar por um mundo
melhor, sim, até mesmo um lugar à mão direita de Deus, esperança essa que vem
pela fé e é uma âncora para a alma dos homens, tornando-os seguros e
constantes, sempre abundantes em boas obras, sendo levados a glorificar a Deus”
(Éter 12:4).
Quando temos esperança, confiamos nas promessas de
Deus. Temos a serena certeza de que, se fizermos as “obras de retidão”,
receberemos nossa “recompensa, sim, paz neste mundo e vida eterna no mundo
vindouro” (D&C 59:23). Mórmon ensinou que essa esperança vem somente pela
Expiação de Jesus Cristo: “E o que é que deveis esperar? Eis que vos digo que
deveis ter esperança de que, por intermédio da expiação de Cristo e do poder da
sua ressurreição, sereis ressuscitados para a vida eterna; e isto por causa da
vossa fé nele, de acordo com a promessa” (Morôni 7:41).
Ao esforçarmo-nos por viver o evangelho, aumentamos
nossa capacidade de “[abundar] em esperança pela virtude do Espírito Santo”
(Romanos 15:13). Aumentamos nossa esperança quando oramos e buscamos o perdão
de Deus. No Livro de Mórmon, um missionário chamado Aarão assegurou a um rei
lamanita que “se te arrependeres de todos os teus pecados e te curvares diante
de Deus e invocares o seu nome com fé, acreditando que receberás, então obterás
a esperança que desejas” (Alma 22:16). Também adquirimos esperança quando
estudamos as escrituras e seguimos seus ensinamentos. O Apóstolo Paulo ensinou:
“Tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela
paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança” (Romanos 15:4).
O princípio da esperança se estende até a eternidade,
mas também pode nos amparar nos desafios cotidianos desta vida. O salmista
disse: “Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança
está posta no Senhor seu Deus” (Salmos 146:5). Com esperança, temos alegria na
vida. Podemos “[ter] paciência e [suportar] (…) aflições com a firme esperança
de que um dia [descansaremos] de todas as [nossas] aflições” (Alma 34:41).
Podemos “prosseguir com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de
esperança e amor a Deus e a todos os homens. Portanto, se assim prosseguirdes,
banqueteando-vos com a palavra de Cristo, e perseverardes até o fim, eis que
assim diz o Pai: Tereis vida eterna” (2 Néfi 31:20).
O conceito de esperança baseada sobre a fé no
Novo Testamento e na Igreja primitiva
Antes de enfrentar a questão de saber se também para nós o
encontro com aquele Deus que, em Cristo, nos mostrou a sua Face e abriu o seu
Coração poderá ser “performativo” e não somente “informativo”, ou seja, se
poderá transformar a nossa vida a ponto de nos fazer sentir redimidos através
da esperança que o mesmo exprime, voltemos de novo à Igreja primitiva. Não é
difícil notar como a experiência da humilde escrava africana Bakhita foi também
a experiência de muitas pessoas maltratadas e condenadas à escravidão no tempo
do cristianismo nascente. O cristianismo não tinha trazido uma mensagem
sócio-revolucionária semelhante à de Espártaco que tinha fracassado após lutas
cruentas. Jesus não era Espártaco, não era um guerreiro em luta por uma
libertação política, como Barrabás ou Bar-Kochba. Aquilo que Jesus Ele mesmo
morto na cruz tinha trazido era algo de totalmente distinto: o encontro com o
Senhor de todos os senhores, o encontro com o Deus vivo e, deste modo, o
encontro com uma esperança que era mais forte do que os sofrimentos da
escravatura e, por isso mesmo, transformava a partir de dentro a vida e o
mundo. A novidade do que tinha acontecido revela-se, com a máxima evidência, na Carta de São Paulo a Filémon. Trata-se de
uma carta, muito pessoal, que Paulo escreve no cárcere e entrega ao escravo
fugitivo Onésimo para o seu patrão precisamente Filémon. É verdade, Paulo envia
de novo o escravo para o seu patrão, de quem tinha fugido, e fá-lo não impondo,
mas suplicando: “Venho pedir-te por Onésimo, meu filho, que gerei na prisão
[...]. De novo to enviei e tu torna a recebê-lo, como às minhas entranhas
[...]. Talvez ele se tenha apartado de ti por algum tempo, para que tu o
recobrasses para sempre, não já como escravo, mas, em vez de escravo, como
irmão muito amado” (Flm 10-16).
Os homens que, segundo o próprio estado civil, se relacionam entre si como
patrões e escravos, quando se tornaram membros da única Igreja passaram as ser
entre si irmãos e irmãs – assim se tratavam os cristãos mutuamente. Em virtude
do Baptismo, tinham sido regenerados, tinham bebido do mesmo Espírito e recebiam
conjuntamente, um ao lado do outro, o Corpo do Senhor. Apesar de as estruturas
externas permanecerem as mesmas, isto transformava a sociedade a partir de
dentro. Se a Carta aos
Hebreus diz que os cristãos
não têm aqui neste mundo uma morada permanente, mas procuram a futura (cf. Heb 11, 13-14; Fil 3,20), isto não significa de modo
algum adiar para uma perspectiva futura: a sociedade presente é reconhecida
pelos cristãos como uma sociedade imprópria; eles pertencem a uma sociedade
nova, rumo à qual caminham e que, na sua peregrinação, é antecipada.Devemos
acrescentar ainda um outro ponto de vista. A Primeira
Carta aos Coríntios (1,18-31)
mostra-nos que uma grande parte dos primeiros cristãos pertencia às classes
baixas da sociedade e, por isso mesmo, se sentia livre para a experiência da
nova esperança, como constatámos no exemplo de Bakhita. Porém, já desde os
começos, havia também conversões nas classes aristocráticas e cultas, visto que
também estas viviam “sem esperança e sem Deus no mundo”. O mito tinha perdido a
sua credibilidade; a religião romana de Estado tinha-se esclerosado em mero
cerimonial, que se realizava escrupulosamente, mas reduzido já simplesmente a
uma “ religião política”. O racionalismo filosófico tinha relegado os deuses para
o campo do irreal. O Divino era visto de variados modos nas forças cósmicas,
mas um Deus a Quem se podia rezar não existia. Paulo ilustra, de forma
absolutamente apropriada, a problemática essencial da religião de então, quando
contrapõe à vida “segundo Cristo” uma vida sob o domínio dos “elementos do
mundo” (Col 2,8). Nesta
perspectiva, pode ser esclarecedor um texto de São Gregório Nazianzeno. Diz ele
que, no momento em que os magos guiados pela estrela adoraram Cristo, o novo
rei, deu-se por encerrada a astrologia, pois agora as estrelas giram segundo a
órbita determinada por Cristo De
facto, nesta cena fica invertida a concepção do mundo de então, que hoje, de um
modo distinto, aparece de novo florescente. Não são os elementos do cosmo, as
leis da matéria que, no fim das contas, governam o mundo e o homem, mas é um
Deus pessoal que governa as estrelas, ou seja, o universo; as leis da matéria e
da evolução não são a última instância, mas razão, vontade, amor: uma Pessoa. E
se conhecemos esta Pessoa e Ela nos conhece, então verdadeiramente o poder
inexorável dos elementos materiais deixa de ser a última instância; deixámos de
ser escravos do universo e das suas leis, então somos livres. Tal consciência
impeliu na antiguidade os ânimos sinceros a indagar. O céu não está vazio. A
vida não é um simples produto das leis e da casualidade da matéria, mas em tudo
e, contemporaneamente, acima de tudo há uma vontade pessoal, há um Espírito que
em Jesus Se revelou como Amor. Os sarcófagos dos primórdios do cristianismo
ilustram visivelmente esta concepção (com a morte diante dos olhos a questão do
significado da vida torna-se inevitável). A figura de Cristo é interpretada,
nos antigos sarcófagos, sobretudo através de duas imagens: a do filósofo e a do
pastor. Em geral, por filosofia não se entendia então uma difícil disciplina
académica, tal como ela se apresenta hoje. O filósofo era antes aquele que
sabia ensinar a arte essencial: a arte de ser rectamente homem, a arte de viver
e de morrer. Certamente, já há muito tempo que os homens se tinham apercebido
de que boa parte dos que circulavam como filósofos, como mestres de vida, não
passavam de charlatães que com suas palavras granjeavam dinheiro, enquanto
sobre a verdadeira vida nada tinham a dizer. Isto era mais uma razão para se
procurar o verdadeiro filósofo que soubesse realmente indicar o itinerário da
vida. Quase ao fim do século terceiro, encontramos pela primeira vez em Roma,
no sarcófago de um menino e no contexto da ressurreição de Lázaro, a figura de
Cristo como o verdadeiro filósofo que, numa mão, segura o Evangelho e, na
outra, o bastão do viandante, próprio do filósofo. Com este bastão, Ele vence a
morte; o Evangelho traz a verdade que os filósofos peregrinos tinham buscado em
vão. Nesta imagem, que sucessivamente por um longo período havia de perdurar na
arte dos sarcófagos, torna-se evidente aquilo que tanto as pessoas cultas como
as simples encontravam em Cristo: Ele diz-nos quem é na realidade o homem e o que
ele deve fazer para ser verdadeiramente homem. Ele indica-nos o caminho, e este
caminho é a verdade. Ele mesmo é simultaneamente um e outra, sendo por isso
também a vida de que todos nós andamos à procura. Ele indica ainda o caminho
para além da morte; só quem tem a possibilidade de fazer isto é um verdadeiro
mestre de vida. O mesmo se torna visível na imagem do pastor. Tal como sucedia
com a representação do filósofo, assim também na figura do pastor a Igreja
primitiva podia apelar-se a modelos existentes da arte romana. Nesta, o pastor
era, em geral, expressão do sonho de uma vida serena e simples de que as
pessoas, na confusão da grande cidade, sentiam saudade. Agora a imagem era lida
no âmbito de um novo cenário que lhe conferia um conteúdo mais profundo: “O
Senhor é meu pastor, nada me falta [...] Mesmo que atravesse vales sombrios,
nenhum mal temerei, porque estais comigo” (Sal 23[22], 1.4). O verdadeiro pastor é
Aquele que conhece também o caminho que passa pelo vale da morte; Aquele que,
mesmo na estrada da derradeira solidão, onde ninguém me pode acompanhar,
caminha comigo servindo-me de guia ao atravessá-la: Ele mesmo percorreu esta
estrada, desceu ao reino da morte, venceu-a e voltou para nos acompanhar a nós
agora e nos dar a certeza de que, juntamente com Ele, acha-se uma passagem. A
certeza de que existe Aquele que, mesmo na morte, me acompanha e com o seu “bastão
e o seu cajado me conforta”, de modo que “não devo temer nenhum mal” (cf. Sal 23[22],4): esta era a nova “esperança“
que surgia na vida dos crentes. Devemos voltar, uma vez mais, ao Novo
Testamento. No décimo primeiro capítulo da Carta
aos Hebreus (v. 1),
encontra-se, por assim dizer, uma certa definição da fé que entrelaça
estreitamente esta virtude com a esperança. À volta da palavra central desta
frase começou a gerar-se desde a Reforma, uma discussão entre os exegetas, mas
que parece hoje encaminhar-se para uma interpretação comum. Por enquanto, deixo
o termo em questão sem traduzir. A frase soa, pois, assim: “A fé é hypostasis das coisas que se esperam; prova das
coisas que não se vêem”. Para os Padres e para os teólogos da Idade Média era
claro que a palavra grega hypostasis devia ser traduzida em latim pelo
termo substantia.
De facto, a tradução latina do texto, feita na Igreja antiga, diz: “Est
autem fides sperandarum substantia rerum, argumentum non apparentium a fé é a “substância” das coisas
que se esperam; a prova das coisas que não se vêem”. Tomás de Aquino,servindo-se
da terminologia da tradição filosófica em que se encontra, explica: a fé é um « habitus », ou seja, uma predisposição
constante do espírito, em virtude do qual a vida eterna tem início em nós e a
razão é levada a consentir naquilo que não vê. Deste modo, o conceito de “substância”
é modificado para significar que pela fé, de forma incoativa poderíamos dizer “em
gérmen” e portanto segundo a “substância “ já estão presentes em nós as coisas
que se esperam: a totalidade, a vida verdadeira. E precisamente porque a coisa
em si já está presente, esta presença daquilo que há-de vir cria também
certeza: esta “coisa” que deve vir ainda não é visível no mundo externo (não “aparece”),
mas pelo facto de a trazermos, como realidade incoativa e dinâmica dentro de
nós, surge já agora uma certa percepção dela. Para Lutero, que não nutria muita
simpatia pela Carta aos
Hebreus em si própria, o
conceito de “substância”, no contexto da sua visão da fé, nada significava. Por
isso, interpretou o termo hipóstase/substância não no sentido objectivo (de realidade
presente em nós), mas no subjectivo, isto é, como expressão de uma atitude
interior e, consequentemente, teve naturalmente de entender também o termoargumentum como uma disposição do sujeito. No
século XX, esta interpretação impôs-se também na exegese católica pelo menos na Alemanha – de modo que a
tradução ecuménica em alemão do Novo Testamento, aprovada pelos Bispos diz: “Glaube
aber ist: Feststehen in dem, was man erhofft, Überzeugtsein von dem, was man
nicht sieht” (fé é: permanecer
firmes naquilo que se espera, estar convencidos daquilo que não se vê). Em si
mesmo, isto não está errado; mas não é o sentido do texto, porque o termo grego
usado (elenchos) não tem o valor subjectivo de “convicção”, mas o valor
objectivo de “prova”. Com razão, pois, a recente exegese protestante chegou a
uma convicção diversa: “Agora, porém, já não restam dúvidas de que esta
interpretação protestante, tida como clássica, é insustentável”. A fé não é só uma inclinação da pessoa
para realidades que hão-de vir, mas estão ainda totalmente ausentes; ela dá-nos
algo. Dá-nos já agora algo da realidade esperada, e esta realidade presente constitui
para nós uma “prova” das coisas que ainda não se vêm. Ela atrai o futuro para
dentro do presente, de modo que aquele já não é o puro “ainda-não”. O facto de
este futuro existir, muda o presente; o presente é tocado pela realidade
futura, e assim as coisas futuras derramam-se naquelas presentes e as presentes
nas futuras.Esta explicação fica ainda mais reforçada e aplicada à vida
concreta, se considerarmos o versículo 34 do décimo capítulo da Carta aos Hebreus que, sob o aspecto da língua e do
conteúdo, tem a ver com esta definição de uma fé perpassada de esperança e
prepara-a. No texto, o autor fala aos crentes que viveram a experiência da
perseguição, dizendo-lhes: “Não só vos compadecestes dos encarcerados, mas
aceitastes com alegria a confiscação dos vossos bens (hyparchonton Vg: bonorum),
sabendo que possuís uma riqueza melhor (hyparxin Vg:substantiam) e imperecível”. Hyparchonta são as propriedades, aquilo que na
vida terrena constitui a sustentação, precisamente a base, a “substância” da
qual se necessita para viver. Esta “substância”, a segurança normal para a vida,
foi tirada aos cristãos durante a perseguição. Eles suportaram-no, porque em
todo o caso consideravam transcurável esta substância material. Podiam
prescindir dela, porque tinham achado uma “base” melhor para a sua existência uma
base que permanece e que ninguém lhes pode tirar. Não é possível deixar de ver
a ligação existente entre estas duas espécies de “substância”, entre a
sustentação ou base material e a afirmação da fé como “base”, como “substância”
que permanece. A fé confere à vida uma nova base, um novo fundamento, sobre o
qual o homem se pode apoiar, e consequentemente, o fundamento habitual, ou seja
a confiança na riqueza material, relativiza-se. Cria-se uma nova liberdade
diante deste fundamento da vida que só aparentemente é capaz de sustentar,
embora o seu significado normal não seja certamente negado com isso. Esta nova
liberdade, a consciência da nova “substância” que nos foi dada, ficou patente
no martírio, quando as pessoas se opuseram à prepotência da ideologia e dos
seus órgãos políticos e, com a sua morte, renovaram o mundo. Mas não é só no
martírio... Aquela manifestou-se sobretudo nas grandes renúncias a começar dos
monges da antiguidade até Francisco de Assis e às pessoas do nosso tempo que,
nos Institutos e Movimentos religiosos actuais, deixaram tudo para levar aos
homens a fé e o amor de Cristo, para ajudar as pessoas que sofrem no corpo e na
alma. Aqui a nova “substância” confirmou-se realmente como “ substância “ da
esperança destas pessoas tocadas por Cristo brotou esperança para outros que
viviam na escuridão e sem esperança. Ficou demonstrado que esta nova vida
possui realmente “substância “ e é “substância” que suscita vida para os
outros. Para nós, que vemos tais figuras, este seu actuar e viver é, de facto, uma
“prova” de que as coisas futuras, ou seja, a promessa de Cristo não é uma
realidade apenas esperada, mas uma verdadeira presença. Ele é realmente o “filósofo”
e o “pastor que nos indica o que seja e
onde está a vida”. Para compreender mais profundamente esta reflexão sobre as
duas espécies de substâncias hypostasis e hyparchonta e sobre as duas maneiras de viver que
com elas se exprimem, devemos reflectir ainda brevemente sobre duas palavras
referentes ao assunto, que se encontram no décimo capítulo da Carta aos Hebreus.
Trata-se das palavras hypomone (10,36) e hypostole(10,39). Hypomone traduz-se normalmente por “paciência”,
perseverança, constância. Este saber esperar, suportando pacientemente as
provas, é necessário para o crente poder “obter as coisas prometidas “ (cf.
10,36). Na religiosidade do antigo judaísmo, esta palavra era usada
expressamente para a espera de Deus, característica de Israel, para este
perseverar na fidelidade a Deus, na base da certeza da Aliança, num mundo que
contradiz a Deus. Sendo assim, a palavra indica uma esperança vivida, uma vida
baseada na certeza da esperança. No Novo Testamento, esta espera de Deus, este
estar da parte de Deus assume um novo significado: é que em Cristo, Deus
manifestou-Se. Comunicou-nos já a “ substância “ das coisas futuras, e assim a
espera de Deus adquire uma nova certeza. É espera das coisas futuras a partir de
um dom já presente. É espera na presença de Cristo, isto é, com Cristo presente
que se completa no seu Corpo, na perspectiva da sua vinda definitiva.
Diversamente com hypostole,
exprime-se o esquivar-se de alguém que não ousa dizer, abertamente e com
franqueza, a verdade talvez perigosa. Este dissimular por espírito de temor
diante dos homens, conduz à “ perdição “ (Heb 10,39). Pois, “Deus não nos deu um
espírito de timidez, mas de fortaleza, amor e sabedoria “, lê-se na Segunda Carta a Timóteo (1,7) caracterizando assim, com uma
bela expressão, a atitude fundamental do cristão.
A fé é esperança
Antes de nos debruçarmos
sobre estas questões, hoje particularmente sentidas, devemos escutar com um
pouco mais de atenção o testemunho da Bíblia sobre a esperança. Esta é, de
facto, uma palavra central da fé bíblica, a ponto de, em várias passagens, ser
possível intercambiar os termos “fé “ e “esperança
“. Assim, a Carta aos
Hebreus liga estreitamente a “
plenitude da fé “ (10,22) com a “ imutável profissão da esperança “ (10,23). De
igual modo, quando a Primeira
Carta de Pedro exorta os
cristãos a estarem sempre prontos a responder a propósito do logos, o sentido e a razão da sua esperança
(3,15), “ esperança “ equivale a “ fé “. Quão determinante se revelasse para a
consciência dos primeiros cristãos o facto de terem recebido o dom de uma
esperança fidedigna, manifesta-se também nos textos onde se compara a
existência cristã com a vida anterior à fé ou com a situação dos adeptos de
outras religiões. Paulo lembra aos Efésios que, antes do seu encontro com
Cristo, estavam “ sem esperança e sem Deus no mundo “ (Ef 2,12). Naturalmente, ele sabe que
eles tinham seguido deuses, que tiveram uma religião, mas os seus deuses
revelaram-se discutíveis e, dos seus mitos contraditórios, não emanava qualquer
esperança. Apesar de terem deuses, estavam ”sem Deus “ e, consequentemente,
achavam-se num mundo tenebroso, perante um futuro obscuro. “In nihil ab
nihilo quam cito recidimus “
(No nada, do nada, quão cedo recaímos) diz
um epitáfio daquela época; palavras nas quais aparece, sem rodeios, aquilo a
que Paulo alude. Ao mesmo tempo, diz aos Tessalonicenses: não deveis “
entristecer-vos como os outros que não têm esperança “ (1 Ts 4,13). Aparece aqui também como
elemento distintivo dos cristãos o facto de estes terem um futuro: não é que
conheçam em detalhe o que os espera, mas sabem em termos gerais que a sua vida
não acaba no vazio. Somente quando o futuro é certo como realidade positiva, é
que se torna vivível também o presente. Sendo assim, podemos agora dizer: o cristianismo
não era apenas uma “ boa nova “, ou seja, uma comunicação de conteúdos até
então ignorados. Em linguagem atual, dir-se-ia: a mensagem cristã não era só “
informativa “, mas “ performativa “. Significa isto que o Evangelho não é
apenas uma comunicação de realidades que se podem saber, mas uma comunicação
que gera factos e muda a vida. A porta tenebrosa do tempo, do futuro, foi aberta
de par em par. Quem tem esperança, vive diversamente; foi-lhe dada uma vida
nova.
Porém, agora coloca-se a
questão: em que consiste esta esperança que, enquanto esperança, é “ redenção “?
Pois bem, o núcleo da resposta encontra-se no trecho da Carta aos Efésios já citado: os Efésios, antes do
encontro com Cristo, estavam sem esperança, porque estavam “ sem Deus no mundo “.
Chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus: isto significa receber esperança. A
nós, que desde sempre convivemos com o conceito cristão de Deus e a ele nos
habituamos, a posse duma tal esperança que provém do encontro real com este
Deus quase nos passa despercebida. O exemplo de uma santa da nossa época pode,
de certo modo, ajudar-nos a entender o que significa encontrar pela primeira
vez e realmente este Deus. Refiro-me a Josefina Bakhita, uma africana
canonizada pelo Papa João Paulo II. Nascera por volta de 1869 ela mesma não
sabia a data precisa no Darfur, Sudão. Aos nove anos de idade foi raptada pelos
traficantes de escravos, espancada barbaramente e vendida cinco vezes nos
mercados do Sudão. Por último, acabou escrava ao serviço da mãe e da esposa de
um general, onde era diariamente seviciada até ao sangue; resultado disso mesmo
foram as 144 cicatrizes que lhe ficaram para toda a vida. Finalmente, em 1882,
foi comprada por um comerciante italiano para o cônsul Callisto Legnani que,
ante a avançada dos mahdistas, voltou para a Itália. Aqui, depois de “ patrões “
tão terríveis que a tiveram como sua propriedade até agora, Bakhita acabou por
conhecer um “patrão “ totalmente diferente no dialecto veneziano que agora
tinha aprendido, chamava ”paron “ ao Deus vivo, ao Deus de Jesus Cristo. Até
então só tinha conhecido patrões que a desprezavam e maltratavam ou, na melhor
das hipóteses, a consideravam uma escrava útil. Mas agora ouvia dizer que
existe um “ paron” acima de todos os patrões, o Senhor de todos os senhores, e
que este Senhor é bom, a bondade em pessoa. Soube que este Senhor também a
conhecia, tinha-a criado; mais ainda, amava-a. Também ela era amada, e
precisamente pelo “Paron “ supremo, diante do qual todos os outros patrões não
passam de miseráveis servos. Ela era conhecida, amada e esperada; mais ainda,
este Patrão tinha enfrentado pessoalmente o destino de ser flagelado e agora
estava à espera dela “à direita de Deus Pai”. Agora ela tinha “esperança “; já
não aquela pequena esperança de achar patrões menos cruéis, mas a grande
esperança: eu sou definitivamente amada e aconteça o que acontecer, eu sou
esperada por este Amor. Assim a minha vida é boa. Mediante o conhecimento desta
esperança, ela estava “redimida”, já não se sentia escrava, mas uma livre filha
de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Efésios
que, antes, estavam sem esperança e sem Deus no mundo: sem esperança porque sem
Deus. Por isso, quando quiseram levá-la de novo para o Sudão, Bakhita negou-se;
não estava disposta a deixar-se separar novamente do seu “Paron”. A 9 de
Janeiro de 1890, foi baptizada e crismada e recebeu a Sagrada Comunhão das mãos
do Patriarca de Veneza. A 8 de Dezembro de 1896, em Verona, pronunciou os votos
na Congregação das Irmãs Canossianas e desde então, a par dos serviços na
sacristia e na portaria do convento, em várias viagens pela Itália procurou
sobretudo incitar à missão: a libertação recebida através do encontro com o
Deus de Jesus Cristo, sentia que devia estendê-la, tinha de ser dada também a
outros, ao maior número possível de pessoas. A esperança, que nascera para ela
e a “redimira”, não podia guardá-la para si; esta esperança devia chegar a
muitos, chegar a todos.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Sonhos
Há momentos, na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que, o que mais queremos
é arranca-la de nossos sonhos
e abraçá-la.
Sonha com aquilo que tu quiseres.
Seja o que quiseres,
porque possuis apenas uma vida
e ela só te dá uma oportunidade
de fazer aquilo queres.
Tem felicidade para fazer a vida doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se sofrem.
Para aqueles que procuram e não desistem.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam pela sua vida.
O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
só vais ter sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
E não se pode voltar para trás.
Paula R.
Há momentos, na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que, o que mais queremos
é arranca-la de nossos sonhos
e abraçá-la.
Sonha com aquilo que tu quiseres.
Seja o que quiseres,
porque possuis apenas uma vida
e ela só te dá uma oportunidade
de fazer aquilo queres.
Tem felicidade para fazer a vida doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se sofrem.
Para aqueles que procuram e não desistem.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam pela sua vida.
O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
só vais ter sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
E não se pode voltar para trás.
Paula R.
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